MonteiroGaleria
Processo Criativo7 min de leitura

O processo: da captura à obra finalizada

Do campo para o ateliê — o caminho que uma imagem percorre desde o momento da captura até estar emoldurada e pronta para habitar um ambiente. Um relato de cada etapa do meu processo.

Por Lucas Mendes Monteiro

Há uma pergunta que volta sempre nas visitas ao ateliê: "quanto tempo leva para fazer uma obra dessas?" A resposta honesta é: entre 20 minutos e dois anos.

Explico.

A captura: presença e paciência

A maioria das minhas imagens nasce de saídas de campo — ao cerrado, à mata, à cidade — em que passo entre 4 e 8 horas fotografando. Nesse tempo, posso capturar 400 imagens ou apenas 12. Não há cota. Há atenção.

Algumas das minhas obras mais vendidas foram capturadas em menos de 30 segundos — o momento certo se apresentou e eu estava pronto. Outras resultaram de retornos ao mesmo local em diferentes estações, diferentes horas do dia, diferentes condições de luz, até que a combinação certa emergiu.

Seleção e curadoria

Do campo para o monitor calibrado. A seleção é rigorosa: de uma sessão de 400 fotos, posso aprovar 3 para o acervo. O critério não é técnico — é sensorial. A imagem precisa me provocar algo novo cada vez que a vejo.

Imagens tecnicamente perfeitas mas emocionalmente neutras não entram no acervo.

Tratamento de imagem

O trabalho em pós-produção é conservador por princípio. Corrijo exposição, balanço de branco e contraste quando necessário, mas nunca altero a realidade documentada. Não adiciono elementos, não removo, não crio montagens.

A autenticidade do que foi visto e capturado é parte da obra.

Prova de impressão e aprovação

Antes de qualquer impressão final, imprimo provas em tamanho reduzido para validar a resposta do papel à imagem. Cores que funcionam no monitor podem se comportar diferente no papel — o gerenciamento de cor minimiza isso, mas a prova física é insubstituível.

Impressão e finalização

A impressão final é realizada em parceria com um laboratório especializado que utiliza equipamentos de calibração de nível museológico. O acabamento — moldura, passepartout, vidro, caixilho — é definido em função de cada obra e do ambiente em que vai habitar.

O resultado final é algo que espero durar mais do que eu.

Tags

processofotografiaateliêimpressão fine art

Gostou do conteúdo?

Explore o acervo de Lucas Mendes Monteiro e descubra obras que traduzem, com igual profundidade, os temas abordados neste artigo.