Há uma pergunta que volta sempre nas visitas ao ateliê: "quanto tempo leva para fazer uma obra dessas?" A resposta honesta é: entre 20 minutos e dois anos.
Explico.
A captura: presença e paciência
A maioria das minhas imagens nasce de saídas de campo — ao cerrado, à mata, à cidade — em que passo entre 4 e 8 horas fotografando. Nesse tempo, posso capturar 400 imagens ou apenas 12. Não há cota. Há atenção.
Algumas das minhas obras mais vendidas foram capturadas em menos de 30 segundos — o momento certo se apresentou e eu estava pronto. Outras resultaram de retornos ao mesmo local em diferentes estações, diferentes horas do dia, diferentes condições de luz, até que a combinação certa emergiu.
Seleção e curadoria
Do campo para o monitor calibrado. A seleção é rigorosa: de uma sessão de 400 fotos, posso aprovar 3 para o acervo. O critério não é técnico — é sensorial. A imagem precisa me provocar algo novo cada vez que a vejo.
Imagens tecnicamente perfeitas mas emocionalmente neutras não entram no acervo.
Tratamento de imagem
O trabalho em pós-produção é conservador por princípio. Corrijo exposição, balanço de branco e contraste quando necessário, mas nunca altero a realidade documentada. Não adiciono elementos, não removo, não crio montagens.
A autenticidade do que foi visto e capturado é parte da obra.
Prova de impressão e aprovação
Antes de qualquer impressão final, imprimo provas em tamanho reduzido para validar a resposta do papel à imagem. Cores que funcionam no monitor podem se comportar diferente no papel — o gerenciamento de cor minimiza isso, mas a prova física é insubstituível.
Impressão e finalização
A impressão final é realizada em parceria com um laboratório especializado que utiliza equipamentos de calibração de nível museológico. O acabamento — moldura, passepartout, vidro, caixilho — é definido em função de cada obra e do ambiente em que vai habitar.
O resultado final é algo que espero durar mais do que eu.
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